Samurais: A alma do Japão
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Os Samurais
Durante
mais de nove séculos (séc. X - séc. XIX), a
cultura samurai foi a ordem e a lei do Japão. O bushido prevalecia
no estilo de vida dos guerreiros. Os primeiros registros de samurais datam
do
século X, como membros de milícias, da guarda imperial e servidores de
senhores feudais. No início de sua existência, qualquer guerreiro poderia
ser um samurai. Ao se dedicar à arte da guerra, seguindo o bushido,
você poderia se tornar um samurai e ser contratado por um senhor de
província, jurando lealdade e o seguindo até a morte.
A arte da espada, ou melhor, o
caminho da espada, na época, era denominado o
kendo.Ele
era
praticado com espadas de madeira, o bokuto, ou boken. Apesar de,
normalmente, não usarem katanas nas lutas de kendo, essas lutas eram muito
perigosas, já que um golpe de bokuto é capaz de fraturar facilmente um
braço, uma perna ou um crânio. Essa arte, hoje em dia, é chamada de
kenjutsu, e o nome kendo foi passado para a arte da espada em uma
forma de esporte.
No início da história do kendo,
alguns samurais notaram a necessidade de saber se virar no caso de estar com
a espada embainhada. Dessa necessidade surgiu o
iaijutsu, a arte de desembainhar a espada, para que o desembainhar
da espada seja o suficiente para derrotar seu inimigo. O iaijutsu é
praticado com o katana real na forma de seqüências, ou katas,
realizados contra inimigos imaginários.
A
partir do século XVII, com o xogunato Tokugawa, foi proibida aos cidadãos
comuns a possibilidade de se tornarem samurais. Desde então, o título de
samurai passou a ser passado de pai para filho. Com isso, a classe samurai
deixou de ser
apenas uma classe guerreira e se tornou uma poderosa e invejada classe
social, conhecida pelo título de bushi.
Outra mudança que veio com a era Tokugawa foi a
unificação do Japão, que acabou com as guerras e causou um grande aumento no
número de ronins (samurais sem senhor). Nessa época, duelos de
samurais e disputas políticas se tornaram constantes.
Todos o samurais, os
bushis, portavam um par de espadas na cintura chamado daisho (dai=grande;
sho=pequeno): a wakizashi, a espada curta, sempre ficava na cintura e
era mais apropriada para ambientes fechados; e a katana, a espada
maior, que devia ser tirada da cintura ao se entrar em ambientes fechados. O
par de espadas também podem ser usados ao mesmo tempo em combate, o nito
(ni=dois; to=espada), assim como no estilo do famoso
Miyamoto Musashi,
o Niten Ichi Ryu (ni=dois; ten=céu; ichi=um; ryu=escola), uma escola de dois
céus.
Os samurais não usavam apenas
espadas, mas eles têm uma grande vairiedade de armas, que inclui a
naginata (como uma lança, mas com uma lâmina similar à de uma espada na
ponta), o kusarigama (uma foice de mão com uma longa corrente e uma
bola de ferro presa à ponta), o jutte (uma densa barra de ferro com
uma saliência para segurar golpes de espada), o jo (bastão de madeira
com 1,28m feito para derrotar a espada) e o tanjo (uma bengala, que
pode ser usada como arma se preciso), entre outros.
Todas as armas, modalidades e estilos descritos
nesse texto podem ser praticadas no Instituto Cultural Niten.
Suas Armas

A katana (de cima) e a wakizashi (de baixo)
A
katana é a arma característica do samurai. Quando se pensa em samurai, se
pensa em katana. Sua lâmina normalmente tem aproximadamente 3 vezes o
tamanho da empunhadura. O lado da lâmina que realiza o corte é feito de
metal mais duro e resistente, enquanto as costas são feitas de um metal mais
macio, para absorver impactos. O jeito como se empunha o katana é com a mão
direita à frente e a mão esquerda atrás. Mesmo quando se usa apenas uma mão,
essa ordem é mantida. Quando se entra em lugares fechados, que não sejam o
dojo, deve-se retirá-la da cintura.
A
wakizashi tem basicamente as mesmas características que a katana, porém, é
mais curta. Como sua empunhadura é feita para apenas uma mão, não faz
diferença se é usada em uma ou em outra. Normalmente a wakizashi está sempre
na cintura dos samurais.

O tanto
O tanto é uma das armas que costumava acompanhar
os samurais a qualquer lugar, ficando normalmente escondido no hakama (parte
de baixo da vestimenta) ou no dogi (parte de cima da vestimenta). Apesar de
ser feito pelo mesmo processo que uma katana, o tanto tem aproximadamente o
tamanho de uma faca de uma faca de cozinha e é usado quase que
exclusivamente para defesa pessoal.

A naginata
Por causa de seu tamanho, a foto mostra apenas a
lâmina da naginata, que é acoplado a um cabo com mais ou menos a altura de
uma pessoa de estatura média, podendo variar de tamanho de acordo com o
estilo e época. A naginata era muito usada para derrubar cavalos. Por causa
de seu longo alcance, os alvos mais freqüentes da naginata eram as canelas e
estocadas no peito ou na garganta. Sua lâmina é feita pelo mesmo processo
que o katana.

A yari
Pelo motivo de ambos serem armas de longo
alcance, a naginata e a yari podem ser muitas vezes confundidos. A diferença
básica entre as duas é que a naginata é feita para desferir golpes de ceifa,
enquanto a yari é feita para golpear quase que apenas com estocadas. Por
esse motivo, alguns modelos de yari também apresentam uma ou duas pontas
extras saindo da base da lâmina para os lados. Outra diferença é que,
geralmente, o cabo da yari é maior e mais leve que o da naginata, permitindo
maior alcance.

O kusarigama
O kusarigama, no modelo exibido, é constituido
de uma foicinha de lâmina reta para mais potência nos golpes de estocada, um
cabo de madeira, um protetor de mão para aparar golpes de espada e uma
corrente de metal com um peso na ponta, tanto para segurar a arma do
oponente quanto para atacá-lo.

O jitte, ou jutte
O jitte, por ser uma arma exclusivamente
defensiva, não tem fio nem ponta. O seu ponto forte é o peso, capaz de
rachar o crânio de uma pessoa. Muitas das vezes, porém, não há necessidade
de um contra ataque, já que a saliência na base do corpo do jitte,
possibilita ao usuário aparar um golpe de espada, podendo prendê-la e até
mesmo tirá-la das mãos do oponente.

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