Stratovarius
O INÍCIO DE TUDO
A nossa historia começa num lugar muito distante de nós sul-americanos.
Um lugar conhecido como Finlândia, mais exatamente numa cidade chamada
Helsinque, conhecida hoje por todo o mundo por possuir um público extremamente
viciado em heavy metal, e cidade "dona" de bandas incríveis de metal
melódico.
No ano de 1984 [Nota: antes de eu mesmo nascer!!] três finlandeses amadores
de Black Sabbath antigo e Ozzy Osbourne tiveram a clássica idéia de montar uma
banda. Eles eram: Tuomo Lassila, baterista e vocalista; John Vihervã, baixista
e Staffan Strahlman, guitarrista. Hoje talvez esses nomes nada signifiquem para
você, leitor, mas na época foram fundamentais na existência dessa banda.
COMEÇANDO COM COVERS
Como toda banda normal de heavy metal, os finlandeses da banda na época
batizada de Black Water, começaram sua carreira coverizando Sabbath e Ozzy.
Saíram alguns acordes de canções próprias, lembrando sempre o estilo "sabbathico"
que eles haviam adotado. Mas, ainda no ano de 1984 (enquanto na Alemanha surgia
o Helloween de Kai Hansen), o baixista John Vihervã deixou a banda. Seu vago
lugar foi ocupado pelo desconhecido Jyrki Lentonen, que, por acaso, já havia
tocado com um certo Timo Tolkki...
NA LUTA DE NOVO
Ainda sofrendo para conseguir apresentações, no ano seguinte a banda
resolve tomar um novo rumo musical. A banda partir desse momento se passaria a
chamar STRATOVARIUS, que, segundo Tuomo Lassila criador do nome e da banda, é
uma mistura do modelo Stratocaster da Fender com a famosíssima marca de
violinos Stradivarius. Era praticamente uma sátira desses dois nomes. Mas, ao
velho estilo Iron Maiden, a banda novamente muda de formação. Dessa vez quem
sai é o guitarrista Staffan, deixando o local das seis cordas vago. Como num
raio, Lentonen sugeriu que um tal Timo Tolkki, um guitarrista extremamente
técnico fosse chamado para uma audição. Algumas horas depois, Tolkki já se
podia considerar membro da banda. Além de novo guitarrista, Tolkki também
passou ao posto de novo vocalista, já que Tuomo estava sofrendo para tocar
bateria e ainda cantar. E, com a presença do novo músico, a banda começa a
ter uma influência de música clássica e heavy metal melódico, que na época
era uma coisa nova. As antigas canções passaram por grandes reformas, dando um
estilo próprio a elas.
O sofrimento para gravar algo era muito grande, então começaram a correr
atrás de produtores para poderem se apresentar e ganhar grana suficiente para
conseguir gravar uma demo. Com muito sofrimento, conseguiram finalmente ter uma
fita demo produzida. Não ficou uma grande maravilha, mas foi o suficiente para
que a gravadora CBS Finland se interessasse pela banda. Após muito se discutir
(no bom sentido da palavra) um contrato foi assinado. E para caracterizar mais o
estilo melódico da banda, o tecladista, não menos desconhecido que os membros
da banda, Antti Ikonen se juntou aos sonhadores finlandeses.
SURGE O PRIMEIRO SINGLE
Future Shock. Esse era o nome do primeiro single da banda, uma verdadeira
alegria para seus integrantes, que estavam com aquela sensação incrível de
terem feito algo para o público do metal, algo do tipo "mãe, eu gravei um
disco!". Além da faixa-título, o álbum continha ainda a maravilhosa
canção "Witch-Hunt". Foi um single bem recebido, e hoje um material
praticamente impossível de ser encontrado. Após seu lançamento, a banda, ao
invés de lançar de cara o disco, resolveu lançar mais um single.
Com a mesma capa do álbum que viria a seguir, o novo single denominado Black
Night trazia a faixa título e a canção Night Screamer.
É LANÇADO O GRANDE PETARDO
Após uma longa turnê com o Iron Maiden, o Helloween lançava seu álbum
ao vivo Live in the UK, o que foi o último trabalho da banda com o guitarrista
Kai Hansen, que deixou a banda para formar o atual mundialmente conhecido e
badalado Gamma Ray. Mas, a alguns quilômetros dali da Alemanha, num país
chamado Finlândia, um certo STRATOVARIUS lançava seu primeiro álbum. Fright
Night foi um grande passo na carreira do grupo.
Não se tornou um álbum mundialmente conhecido logo de cara, mas foi sem
dúvida as portas para o que viria após. O álbum não era extremamente
técnico, mas trazia riffs e solos de guitarra jamais usados antes por uma
banda. É impossível esquecer o riff de abertura da canção Future Shock. Sem
dúvida, a melhor música do álbum. Mas, uma coisa inesperada estava por vir...
PROBLEMAS SEMPRE SURGEM...
A banda, feliz com o pequeno sucesso do primeiro álbum, começa a
escrever novo material, dessa vez com mais teclados, o que fez com que Antti
Ikonen se tornasse membro oficial da banda. Assim, as novas composições
passariam a ter mais melodia que o álbum anterior. Mas, surge uma inesperada
notícia: o baixista Lentonen deixa a banda, dando lugar a Jarí Kainulainen,
que já havia tocado em algumas bandas e até gravado discos. O novo baixista
tinha uma pegada muito mais pesada e técnica que seu antecessor. O baixista
perfeito para uma banda como o Strato.
Outra inesperada notícia aparece: a gravadora CBS Finland não tinha mais
nenhum interessa na banda. A banda preocupada começou a correr atrás de alguma
gravadora, mas não ocnseguiram, o que os obrigou a juntar tudo que tinham ganho
com os shows e vendas do Fright Night e lançaram o álbum Stratovarius II, em
1992. Depois disso, conseguiram agendar alguns shows para cobrir os gastos na
gravação e lançamento desse disco. Por sorte, uma gravadora acabou se
interessando pelo trabalho desse segundo álbum, principalmente pela música
Hands of Time.
Então foi dado um novo nome para o álbum. A partir daquela hora eles se
chamaria Twilight Time, e foi lançado por toda Europa e Japão. O Strato
começava a crescer de novo.
Além do álbum, também foi lançado o single Break the Ice, contendo a
faixa título e a canção de abertura do álbum Twilight Time, Lead Us Into the
Light.
EVOLUINDO CADA VEZ MAIS
O terceito álbum recebeu o nome de Dreamspace, foi lançado em 1994 e
foi, com certeza, o melhor álbum lançado pela banda desde então. Possuía
sucessos como a faixa título, 4th Reich, We are the Future e Chasing Shadows.
Pela primeira vez, a terra do sol nascente recebeu a visita dos finlandeses,
mais exatamente as cidades de Tokyo, Osaka e Nagoya. Mas Timo Tolkki estava
tendo problemas ao vivo, pois as músicas estavam cada vez mais técnicas, e
além disso ele cuidava da parte de letras, o que o deixava totalmente
sobrecarregado. Um novo vocalista precisava entrar na banda.
ENTRA O GRANDE VOCALISTA
Em 1989, após o lançamento do álbum Fright Night, um certo Timo
Kotipelto escutou-o na casa de um amigo e pensou "que ótima banda essa.
Só precisa de um vocalista melhor.". Timo Tolkki já havia ouvido falar
desse tal Kotipelto, então resolveu ligar à ele, perguntando se ele se
dispunha a fazer uma audição para entrar numa banda chamada Stratovarius. O
vocalista aceitou na hora. Então, em plena primavera do mesmo ano, o
Stratovarius ganhava um novo vocalista. Timo Kotipelto passou no teste com
louvores, e já tratou logo de decorar as antigas canções da banda e preparar
algumas composições suas para o novo álbum da banda. Um fato interessante que
com certeza vale a pena citar aqui, é como surgiu a idéia da letra Against the
Wind. Timo Tolkki estava no seu carro, quando a gasolina acabou. Mesmo com a
terrível e fria chuva que caía, ele voltou pra casa a pé. Foram
"somente" 4 quilômetros a pé. Além disso, o mesmo Timo Tolkki
quando pequeno possuía "aviofobia", ou seja, tinha um medo terrível
de aviões. Daí veio a idéia de Distant Skies.
O novo álbum chamava-se Fourth Dimension, e possuía uma sonoridade
completamente diferente de tudo que a banda havia feito, e o novo vocalista
lembrou muito Michael Kiske, o que fez com que surgissem comparações diversas
com o Helloween. No geral o álbum foi um sucesso incrível, e algumas de suas
canções são tocadas até hoje, como Twilight Symphony, Against the Wind e
Distant Skies.
A banda fez sua maior turnê até então, tocando em vários países, dentre
eles Alemanha, Suíça, Holanda, Finlândia, Grécia e Japão. Foi uma incrível
turnê, com o público completamente abismado com a incrível capacidade do novo
vocalista, que ao vivo, era idêntico ao estúdio (coisa rara). (Obs: no DVD
Infinite Visions existem algumas imagens do primeiro show dessa turnê, que é
também o primeiro show de Kotipelto com a banda). Mas, o líder Tuomo Lassila
resolveu deixar a banda por motivos pessoais, levando consigo Antti Ikonen que
estava tendo dificuldades para tocar o material veloz e técnico escrito por
Tolkki. No momento, foi uma dura notícia deixando os alicerces da banda quase
desmoronando. Mas, uma feliz notícia estava pra chegar...
CHEGA O QUE FALTAVA
O Running Wild possuía um baterista alemão muito bom, técnico,
rápido, e que tocava músicas velozes muito facilmente. Era exatamente o tipo
de baterista que faltava para o time do Stratovarius. Mas em primeiro lugar, a
banda era uma banda de metal melódico, e precisava de um tecladista. O
guitarrista Malmsteein e o baixinho Dio tiveram um tecladista muito bom em suas
bandas, que também entrou para o time do Stratovarius. Jörg Michael era o novo
baterista e Jens Johansson o novo tecladista. Ambos possuíam uma experiência
bem maior que seus novos companheiros de banda.
A nova formação possuía um estilo próprio, que às vezes chegava a
lembrar Helloween antigo, mas no geral, era uma banda inovadora, com um estilo
que não era conhecido ainda no cenário metálico. O novo álbum começou a ser
escrito, com muita empolgação. As músicas eram muito mais pesadas, mais
técnicas e possuíam incríveis duelos nos solos de Tolkki na guitarra e de
Johansson no teclado. Aos que ainda não o conheciam, foi uma incrível surpresa
escutar um tecladista tão rápido quanto ele, ainda mais sabendo que o cara
solava nas teclas com apenas uma mão, a direita.
A imprensa e fãs estavam muito curiosos quanto ao novo álbum. Como seria
essa nova formação, já que agora estão com dois nomes um tanto conhecidos no
metal atual? A resposta veio em duas partes. Um single e o álbum, ambos em
1996. Primeira parte: single chamado Father Time. Música rapidíssima, muito
mais pesada que qualquer trabalho anterior da banda, e com um coro de 20 vozes.
A banda não lançava um single desde Break the Ice, da época do álbum
Twilight Time. Além dessa nova canção, o single trazia uma versão mais
atual, com a nova formação, para o clássica Future Shock. Cá entre nós,
essa versão ficou 10 vezes melhor que a anterior. Trazia também o cover de
Kill the King do Rainbow cantada por Tolkki e a canção Uncertainty, que, assim
como Father Time, era nova.
A segunda parte da resposta chegou: é lançado o álbum Episode, mostrando o
incrível amadurecimento da banda, com canções arrasadoras, pesadas, rápidas
e principalmente virtuosas. Foi usada além do coro, uma orquestra de 40
instrumentos para a gravação desse álbum. Pela primeira vez, a banda fez uma
música na qual podemos usar o termo "arrasa quarteirão", chamada
Speed of Light. A música merece o nome que tem, pois é uma das mais rápidas
da história do heavy metal.
Depois de uma turnê maravilhosa, e de ter lançado o álbum mais bem
sucessido da história do Strato, eles resolveram lançar um EP, contendo
algumas faixas ao vivo gravadas durante a tour do Episode.
Will the Sun Rise foi bem vendido, e atualmente é encontrado em algumas
versões do álbum Fright Night (?). Pela primeira vez, os fãs da banda puderam
ter uma idéia de como eles eram ao vivo. Qualidade comprovada, pois a
porcentagem de perdas entre o estúdio e o palco era mínima para o Stratovarius.
"BRAZIL, HERE WE GO!!!"
Para estrear o novo ano de 1997, o Strato resolveu lançar mais um single.
Chamado de The Kiss of Judas, o novo single trazia a faixa título, uma versão
dmeo para ela mesma, a nova canção Black Diamond, que possuía uma arrasadora
introdução de teclado, e versões ao vivo para Uncertainty e Fourth Reich.
Lançou depois mais um single, dessa vez chamado Black Diamond, que possuía
uma capa idêntica a do single The Kiss of Judas. Dessa vez, estavam no single
faixa título, novamente The Kiss of Judas, ela em versão demo pela segunda
vez, outra vez Fourth Reich ao vivo e uma versão ao vivo para We Hold the Key.
Finalmente sai o tão esperado novo álbum da banda, Visions. Pode-se dizer
que é o melhor álbum da história da banda, e que os sucessos dele foram todas
as suas canções. Podemos destacar Legions, a faixa título, Black Diamond, The
Kiss of Judas e Forever Free. Possui também um lindo trabalho de capa feito
pelo já consagrado Andreas Marschall. Com músicas de astral mais alto, Visions
ganhou disco de ouro na Finlândia e trouxe pela primeira vez a banda no Brasil.
Foram shows inesquecíveis para nós tupiniquins. Os shows chegaram perto de
duas horas de duração. Shows para brasileiro nenhum botar defeito. (Obs:
existe um vídeo do show de SP. Os interessados contatem-me para maiores
informações sobre ele.)
Enquanto isso, era lançada no Japão uma coletânea chamada The Past and Now,
contendo faixas de todos os álbuns da banda. Foi lançada apenas no Japão,
portanto é um material raríssimo. Essa foi a primeira coletânea da banda.
O PRIMEIRO ÁLBUM AO VIVO
Uma turnê tão grande e de tanto sucesso como foi a Visions World Tour '97,
não poderia passar em branco. Então, a banda resolveu juntar as melhores
gravações de seus shows dessa turnê. Por acaso (ou talvez de propósito) as
faixas oscilam em Grécia e Itália. Possui basicamente todo o set-list da tour,
ficando de fora apenas as músicas menos tocadas. Um álbum duplo, muito
vendido, apresentando ao mundo o que era Stratovarius ao vivo de verdade.
ÁLBUM BEM PESSOAL
Os amigos Timos estavam com a criatividade fluindo bastante, e já tinham
material para um novo álbum. Ao invés de já lança-lo de cara, preferiram
lançar antes o single SOS, que trazia mudanças novamente na musicalidade da
banda. A faixa título incia-se com um solinho riff muito legal, e impossível
de esquecer, algo que o Sr. Tolkki jamais havia feito. O single possui também
as novas No Turning Back e a baladinha Years go By, além do cover Blackout do
Scorpions.
O single foi muito bem recebido, assim como o novo álbum, chamado Destiny,
lançado em 1998. Esse novo álbum trazia composições muito pessoais dos dois
Timos, tratando principalmente sobre mulheres, um problema que... bem... todo
homem tem. Eles exporam todas suas tristezas e alegrias nas letras desse novo
álbum, que foi bem diferente do Visions. Álbum ótimo, que traz composições
inesquecíveis como a faixa título, 4000 Rainy Nights, SOS e Anthem of the
World. A turnê foi tão grande quanto a anterior e eles novamente vieram ao
Brasil, mas dessa vez tocaram apenas em São Paulo. Um fato interessante dessa
turnê, é que a banda resolveu tocar algumas músicas há muito enterradas em
seu reportório, como We Are the Future por exemplo. Pela segunda vez, o Strato
ganha disco de ouro na Finlândia.
Então, foi lançada uma coletânea para o mundo inteiro, chamada The Chosen
Ones, contendo músicas do Twilight Time até o atual álbum. Continha algumas
faixas que foram bônus japoneses como Full Moon (Nota: música que na minha
sincera opinião não deveria existir) e Dream with Me. Essa foi a segunda
coletânea que o Strato lançou, mas foi a primeira lançada para o mundo
inteiro.
NEM TÃO NOVO ASSIM...
Foi anunciado no final de 99 o novo álbum da banda, que se chamaria Infinite,
e é quase um álbum conceitual, pois fala bastante de mudarmos o caminho de
nossas vidas. Antes do álbum lançaram o single Hunting High and Low que trazia
além da faixa título a inédita Neon Light Child, baladinha no estilo
clássico do Strato. A banda já havia conseguido muitos fãs pelo mundo
inteiro, portanto a espera do novo álbum era muito grande. Espera essa que
infelizmente não superou as expectativas.
Infinite é sem dúvida um álbum maravilhoso, mas é repetitivo. Resumindo,
é uma pura cópia de Visions e Destiny. O álbum não possui inovações
sonoras. "Acho que não devemos mudar o nosso som, nossos fãs não iriam
gostar..." disse Jörg Michael no Brasil sobre esse assunto. Mas mesmo
assim foi bem recebido, e sua turnê, foi a melhor que o Strato já realizou.
Passaram novamente pelo Brasil, fazendo em São Paulo um show no que, podemos
dizer, foi na melhor casa de shows do país. O Via Funchal estava lotado no dia
19 de outubro do ano passado. Foi, com certeza, o melhor show já realizado pelo
Stratovarius no Brasil, tanto pela banda como pelo público. Maravilhoso.

A Million Light-Years Away - Último Single.
Durante a tour foi lançado mais um single, contendo as faixas ao vivo
Phoenix e Infinity, a faixa título (A Million Light-Years Away) e a canção
Celestial Dream, ambas do álbum Infinite. Pela terceira vez, o Strato fatura um
disco de ouro em sua terra natal.
UMA TRISTE NOTÍCIA
Infelizmente, o último álbum.
2001 inicia-se com uma triste notícia para os fãs da banda: eles anunciaram
compridas férias até 2003. Para não terminarem sem mais nem menos, lançaram
o álbum Intermission, que possui algumas raridades da banda e mais 4 novas
canções, muito boas por sinal. Músicas ótimas, que, em relação ao Infinite,
trouxeram uma certa inovação. Eles anunciaram shows em alguns festivais desse
ano, mas é só. Timo Tolkki e Timo Kotipelto anunciaram que lançarão seus
álbuns solo enquanto isso, mas Stratovarius mesmo só em 2003. Esperemos até
lá, e...
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